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domingo, 21 de agosto de 2011

Políticas Públicas Municipais


desenvolvimento urbano

Municípios buscam reverter riquezas em índices sociais

Publicado em 17 de agosto de 2011 



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Construção de 1.000 casas em Horizonte, um dos três Municípios cearenses com maior PIB per capita, mas onde 13% da população ainda vive na linha de pobreza, segundo o IBGE 
DIVULGAÇÃO
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ATENDIMENTO NA Policlínica do Eusébio, onde a população cresceu 46% entre 2000 e 2010
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LAZER NO CENTRO de Convivência do Idoso, em Maracanaú, onde a Prefeitura amplia os serviços públicos na área social
Direitos fundamentais, principalmente da população mais carente, devem ser assegurados pelo poder público
Fortaleza. Transformar riqueza econômica em benefícios sociais. Este é o desafio das administrações públicas, principalmente nos países em desenvolvimento. Não basta fomentar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, um dos principais indicadores de avaliação do desenvolvimento econômico de um Município, Estado, país ou até um grupo de nações. A evolução da economia deve refletir-se em saúde, educação e moradia, entre outros indicadores sociais.

Os Municípios cearenses de Eusébio, Horizonte e Maracanaú apresentaram os maiores PIBs per capita do Ceará em 2008,respectivamente R$ 23.205,00, R$ 15.947,00 e R$ 15.620,00, na última atualização desse índice divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O PIB per capita é medido a partir da soma do valor de todos os serviços e bens produzidos, também chamados de renda tributável, dividido pelo total de habitantes da região. A renda per capita é uma média anual do rendimento de cada cidadão. Estes índices são a forma mais tradicional de medir o desempenho da economia de uma determinada região.

Porém, um Município considerado rico pela avaliação econômica tradicional pode não distribuir bem sua riqueza e o desnível social ser evidente, enquanto cidades com receitas menores, mais pobres pelos índices econômicos, podem desfrutar de uma padrão de vida superior. Alto PIB não garante que a população beneficia-se da geração de riqueza. É o perfil da distribuição de renda e a qualidade dos serviços públicos que determinam essa diferença.

O Censo de 2010, pesquisa demográfica realizada pelo IBGE a cada 10 anos, divulgou, além do crescimento populacional, o número de domicílios que vive na linha de miséria, com renda per capita inferior a R$ 70,00, padrão estabelecido pelo Governo Federal.

Em Maracanaú, o Município mais industrializado do Ceará, em 10 anos a população cresceu 16%, passou de 179.732 para 209.748 habitantes. O número de domicílios que vive abaixo da linha de pobreza é 6.832, dado do Censo 2010. Pela média aplicada pelo IBGE para cálculo de moradores por domicílio no Ceará, que é de 3,6 pessoas, cerca de 24.595 habitantes, 11% da população, vivem nos domicílios mais pobres de Maracanaú. O Bolsa Família beneficia 22.158 famílias.

"Ainda existem favelas, como as da Pajuçara, do Alto da Mangueira e dos Bandeirantes", conta a dona de casa que mora no Jereissati II, Keiviane Lopes Brito, morada de Maracanaú há 16 anos.

Eusébio teve um crescimento de 46% em sua população entre 2000 e 2010, o número de habitantes passou de 31.500 para 46.047. Também pela média do IBGE, cerca de 5.436 pessoas vivem na linha de pobreza, 11% da população do Município, número correspondente aos 1.510 domicílios registrados pelo Censo 2010. Atualmente, 4.650 famílias são beneficiadas pelo programa Bolsa Família.

Das três cidades mais ricas, Horizonte teve o maior crescimento populacional. Em 2000, possuia 33.790 pessoas. Já em 2010, o Censo contabilizou 55.154 habitantes.

O número de domicílios na linha de pobreza é de 2.086, cerca de 8.970 habitantes, pela média do IBGE, ou 13% da população. O Bolsa Família beneficia 5.772 famílias.

O PIB mede a riqueza econômica de uma região. "O PIB mede tudo, menos o que faz a vida valer a pena", prenunciava Robert Kennedy, em um discurso de campanha para ser nomeado candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, há 43 anos.

Até pouco tempo, o desenvolvimento estava vinculado apenas ao crescimento econômico. O progresso precisou reinventar-se. Os recursos dos tributos devem ser revertidos em transformações sociais, políticas e culturais.

No entanto, são poucos os Municípios que têm receita de atividade industrial e comercial como fonte considerável de recursos. Mas não só indústria e comércio pagam impostos. A maioria das ações gera tributos, desde acionar a tomada para iluminar a sala até comprar um carro ou a casa própria.

Tributos
O Brasil está em 14% no ranking das maiores cargas tributárias do mundo. Segundo estudos do Instituo Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a proporção dos tributos no País, em 2010, chegou a 34,5% da arrecadação de impostos e do PIB. O Brasil arrecadou R$ 1.270 trilhão e cada brasileiro pagou ao governo aproximadamente R$ 6.722,38.

"A alta carga tributária é necessária nesse estágio de desenvolvimento do País. O sistema tributário regressivo cobra mais dos pobres. Mais da metade dos gastos sociais do governo, como o Bolsa Família, retorna em forma de impostos", admite o pesquisador do laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), ligado à Universidade Federal do Ceará (UFC), Carlos Eduardo Marino.

Os maiores PIBs do Ceará tentam integrar-se às exigências dos atuais modelos de gestão para minimizar as distâncias sociais que permeiam a vida de seus cidadãos. Para isso, revertem parte do montante expressivo de suas arrecadações na efetivação de direitos básicos.

Maior
23 mi De reais, aproximadamente, é o valor do Produto Interno Bruto per capita do Município do Eusébio no ano de 2008, de acordo com a última atualização desse índice feito pelo IBGE

MAIS INFORMAÇÕES 
IBGE (85) 3464.5300
Prefeituras de Maracanaú: (85) 3521.5894; Eusébio: (85) 3260.5145
e Horizonte: (85) 333.66015
GESTÃO PÚBLICA
Educação e saúde são prioridades

Fortaleza.
 Em 2010, Maracanaú aplicou 40% de sua arrecadação em educação, a lei determina que o percentual seja 15%. "Nós somos o único Município do Brasil a aplicar essa porcentagem na Educação", destaca o prefeito, Roberto Pessoa.

Este ano, 524 alunos com necessidades especiais deixaram o Centro de Apoio e Desenvolvimento Educacional Especial (Cadde) e foram incluídos nas escolas municipais. A rede municipal de ensino dispõe de 33 bibliotecas, 80 laboratórios de informática e 30 quadras de esporte e um centro de línguas que atende 1.980 alunos.

Maracanaú criou a Secretaria de Assistência Social para atuar em integração com a Secretaria de Saúde. Uma nova unidade do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), no Distrito de Pajuçara, dá ajuda psicológica e reintegra pacientes envolvidos com álcool e drogas.

O Centro de Convivência de Idosos, funcionando há quatro anos, atende 500 pessoas diariamente. Em breve, será inaugurado o Hospital da Mulher, cuja obra está 98% concluída.

"As transformações sociais são evidentes. O povo reclama menos", comenta a moradora Keiviane Lopes Brito. Porém, em termos salariais, ainda há desafios a vencer. Desempregada, a dona de casa diz que pretendia fazer o concurso público da Prefeitura, já com inscrições abertas, mas não pôde pagar o valor da inscrição. "Tenho dois filhos e vivemos com o salário mínimo do meu marido, como vou dispor de R$ 80,00 para pagar a inscrição?".

"Em Horizonte, a arrecadação tributária reverte-se em avanços dos nossos índices sociais", assevera o prefeito do Município, Manoel Gomes de Farias Neto, o Nezinho. Investimentos em moradia beneficiaram mais de 2.100 famílias carentes, que saíram de casas de taipa ou deixaram de pagar aluguel. Em 2010, o Município matriculou 13.977 crianças na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. A Prefeitura disponibiliza um cursinho pré-vestibular gratuito e oferece transporte escolar, nos três turnos, para estudantes universitários.

Horizonte inaugurou, em fevereiro deste ano, o Centro Integrado de Saúde Dr. Memória que atende 400 pessoas por dia. O número de médicos aumentou de 44 para 62. A dona de casa Adriana Silva, moradora de Horizonte há 12 anos, confirma que, no setor de moradia, o Município vem cumprindo o seu papel. "Não temos do que nos queixar sobre o setor, mas não considero ter qualidade de vida", diz.

O filho caçula de Adriana veio após ela submeter-se a uma laqueadura de trompas no Hospital e Maternidade Raimundo Venâncio de Sousa. "Fui vítima de incompetência médica e o caos nos postos de saúde é diário. Levei meu filho ao Posto do Cajueiro da Malhada às 5h da manhã e eu e mais sete idosos da fila voltamos para casa quando a atendente, às 7h30, anunciou que o médico não viria".

Horizonte realizará este ano um concurso público. "A licitação está em fase final. Vamos oferecer quase 300 vagas", adianta o prefeito.

No Eusébio, a Prefeitura implantou o Programa Renda Mínima, cujo objetivo é contemplar em até R$ 100,00 por pessoa a renda familiar mensal. Os beneficiados têm que prestar serviço comunitário ou manter os filhos na escola. "Essa é uma forma de fazer justiça social com distribuição de renda", explica o prefeito, Acilon Gonçalves.

Tempo integral
As crianças do Eusébio dispõem de escolas em tempo integral, do Ensino Infantil ao Ensino Fundamental. Atualmente, 3.599 alunos participam desse programa e os alunos em situação de risco têm prioridade.

Doze postos de saúde foram reformados e uma policlínica construída para atender 12 especialidades.

A professora Matilde Gonçalves Peixoto mora há 20 anos no Eusébio e se diz satisfeita com a atuação da Prefeitura. "Não deixa a desejar", declara.

Isabel AlbuquerqueEspecial para o Regional

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